#Partituras de maio: um pouco do mestre Wilson Moreira

Wilson Moreira em sua casa. (Olivia Nachle/Coletivo Sindicato do Samba)

O mês de maio marca o início da nossa série #Partituras, que vai disponibilizar mensalmente algumas cifras de músicas dos nossos mestres e mestras: com vocês, Wilson Moreira!

O Coletivo Sindicato do Samba teve um privilégio enorme: conviver e estar junto com o mestre Wilson Moreira, nosso querido Alicate.

O primeiro encontro foi uma homenagem pelos seus 80 anos, realizada em São Paulo, em 2016. Depois, estivemos juntos na reestruturação do Centro Cultural Solar Wilson Moreira, no Rio de Janeiro, e em diversas rodas que aconteceram neste local mágico.

Enfim, durante essa convivência, reunimos algumas cifras do Moreira, que disponibilizamos aqui com o objetivo de difundir a obra dos nossos mestres. Esperamos que gostem! 😉

Abaixo, seguem as cifras de: “Toda Minha Verdade”, música de Wilson gravada pelo grupo Fundo de Quintal; o pout-pourri de Formiga Miúda (com Sérgio Fonseca) e Shopping Samba 9com Marcos Paiva); “Quintal do Céu”, parceria com Jorge Aragão, e “Peso na Balança”, samba que dá nome ao primeiro LP solo de Wilson, lançado em 1986.

Coletivo se une ao Dia Nacional do Samba na Glória

Primeira edição do Dia Nacional do Samba na Glória integra ações de todo Brasil e reúne movimentos do bairro carioca que lutam pela valorização do samba e da cultura popular.

No dia 2 de dezembro é celebrado o Dia Nacional do Samba e os moradores e amigos do bairro da Glória resolveram entrar na corrente.

Assim, as três maiores rodas de samba do bairro toparam se reunir para uma grande festa na famosa e tradicional Feira Popular da Glória.

Gloriosa Roda de Samba, Sambastião e Pagode do Time de Crioulo se juntaram para dar continuidade ao projeto de vitalização e ocupação do bairro, sempre com cultura, lazer, educação e muita alegria.

O Coletivo Sindicato do Samba, que teve sua primeira sede no bairro da Glória, também participa do movimento.

A Glória e o Samba

Importante reduto cultural da cidade do Rio de Janeiro, o bairro da Glória tem em sua história muito personagem bamba e movimentos de samba. Nomes como Jackson do Pandeiro, Wilson das Neves, Ataulfo Alves e Mario Lago foram algumas das figuras que marcaram a região.

E tem mais! Paulão 7 Cordas, Moacir Luz, Toninho Gerais estão até hoje presentes nos encontros e, ainda, não podemos esquecer de Edson Cortes, Lula Matos e Anderson Baiaco, precursores da ideia da primeira roda de samba no bairro, em 2003 junto a Associação de Moradores e Amigos da Glória.

Com objetivo de valorizar esse patrimônio cultural e dar continuidade a essa historia, vamos celebrar o Dia Nacional do Samba com as principais rodas da Glória.

O evento conta com o apoio da Associação de Moradores e Amigos da Glória, do Coletivo Sindicato do Samba e da Rede Carioca de Rodas de Samba.


Dia Nacional do Samba na Glória
Roda de samba com a Gloriosa, Sambastião e Time de Crioulo
2 de dezembro | domingo | 15 horas
Entrada Gratuita
Feira Popular da Glória (Av. Augusto Severo, s/n – Glória – RJ)

Apoio Cultural:
Associação de Moradores e Amigos da Glória
Coletivo Sindicato do Samba
Rede Carioca de Rodas de Samba

2017 marca estreia de projeto no Centro Cultural Solar Wilson Moreira

Coletivo Sindicato do Samba inicia projeto em parceria com Centro Cultural Solar Wilson Moreira, no Rio de Janeiro.

Ao longo do ano de 2017, tivemos o privilégio de realizar algumas rodas no importante Centro Cultural Solar Wilson Moreira, espaço que valoriza e preserva a obra do sambista Wilson Moreira. O projeto “Flores em Vida” teve início no segundo semestre de 2017 e realiza um evento mensal, sempre em homenagem e dedicado a grandes compositores e compositoras do nosso samba. Confira abaixo um pouco de como foram as primeiras edições:

Homenagem a Luiz Grande

Em agosto, na primeira edição, recebemos bambas como Edil Pacheco, Marquinhos Diniz e Toninho Nascimento para uma homenagem especial ao compositor Luiz Grande, que não resistiu a um avançado quadro de diabetes e faleceu no final de julho. Para quem ainda não sabe, Luiz foi o primeiro mestre do Coletivo, além, claro de um dos maiores compositores do samba sincopado. Continuará sempre na nossa lembrança e na luta diária pela valorização do samba, por mais que seja necessário “talento e sacrifício”:

Homenagem a Wilson das Neves

Infelizmente, nossa segunda roda também foi de homenagem: ao compositor e percussionista Wilson das Neves, vítima de um câncer aos 81 anos. Vale lembrar que, dois meses antes, por coincidências da vida, estivemos juntos em São Paulo para participar de seu último show, em celebração ao seu aniversário. Deixara muita saudades. Parafraseando Cláudio Jorge, “Ô sorte” a nossa de ter convivido com esse bamba.


A arte de Toninho Nascimento

Em outubro, tivemos a felicidade de receber um dos maiores compositores da nossa música popular brasileira: Toninho Nascimento, autor de sucessos como “Peregrino” e “Conto de Areia” e gravado por gente como Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberto Ribeiro.

Chico Alves e a Caninana

Novembro foi o mês do bamba Chico Alves apresentar seu repertório autoral. O compositor e cantor, que participou de todas as edições anteriores, mandou muita brasa como “Caninana”, “Berço de Sereia” e “Vai da Valsa”.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz

Para fechar o ano, mais uma homenagem ao nosso mestre Luiz Grande, dessa vez com a presença de Marquinhos Diniz e Barbeirinho do Jacarezinho: o famoso Trio Calafrio.

Em 4 tempos: Império Serrano, Mangueira, Portela e Salgueiro

Em reportagem feita pelo Sindicato e publicada na Revista Serafina do jornal Folha de São Paulo no dia 23 de fevereiro de 2014, bambas da velha guarda carioca falam sobre suas histórias no carnaval.

*Por Camilo Árabe

Em frente à bilheteria do Engenhão, na zona norte do Rio, a casa de Noca da Portela é toda azul e branca. O calor é forte e, aos 81 anos, ele convida: “Vamos tomar um chá de macaco!” Imediatamente, um dos netos traz uma cerveja, enquanto os bisnetos se divertem na piscina de plástico no fundo do quinta

Captura de Tela 2016-06-27 às 23.54.11

Mineiro de Leopoldina, Noca tem cerca de 400 composições gravadas por artistas como Clara Nunes e Beth Carvalho e diz ter outras mil inéditas. Feirante durante boa parte da vida, desde a década de 90 sustenta a família com o samba: “Coloca aí que, graças a Deus, eu pago a faculdade dos meus seis netos”.

As cores da casa não estão lá por acaso: são as cores da Portela. “Em 1966, o trio ABC da Portela estava precisando de um violão. Aí o Paulinho da Viola me indicou.”

No mesmo ano, teve que passar por um teste, aplicado por Candeia, para entrar na ala dos compositores: “Ele me deu 10 mil réis para almoçar e falou para eu voltar com um samba”. Noca compôs “Minha Portela Querida”, hoje um clássico da tradicional escola de samba, e foi aprovado.

Além de sambista, Noca também se diz comunista. Já foi Secretario Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e militou na campanha das Diretas Já, quando fez política em formato de samba. “Tenho orgulho de ter feito duas músicas para a campanha.”

***

Wilson das Neves, 77, é normalmente conhecido por ser o baterista de Chico Buarque, apesar de acompanhar grandes nomes da música brasileira desde a década de 60.

Craque das baquetas, em 1994 ele começou a ser reconhecido também como compositor e cantor -ainda que não se reconheça como tal. “Eu não sou cantor. Cantor é o Pavarotti”, diz, durante show na Sala Funarte, em fevereiro deste ano, antes da conversa com Serafina.

Captura de Tela 2016-06-27 às 23.53.38

Cada música é acompanhada de uma história, uma piada, uma tirada. “Ô Sorte!”, alguém grita da plateia e logo Wilson responde da mesma maneira.

É seu famoso bordão que remete a uma de suas paixões: a escola de samba Império Serrano. “‘Ô Sorte’ era uma saudação que eu tinha com o puxador de samba Roberto Ribeiro. Sorte de ser imperiano!”, diz.

Wilson chegou à escola verde e branca ainda criança, levado pela mãe, que era da ala das baianas. “Esse ano o Império vai subir, nem que seja num pedestal”, brinca sobre o fato de a agremiação estar na divisão de acesso do Carnaval. A paixão pela escola é grande, mas não o bastante para ele se arriscar “no negócio que virou a composição de sambas-enredo”: “Nunca fiz, não. Deus me livre. Isso é pra quem quer arrumar inimigo de graça”.

***

“Eu já me conheci como Tantinho. Deve ser pelo meu tamanho”, conta Devani Ferreira, com seu 1,60 m, na quadra da Estação Primeira de Mangueira.

Aos 13 anos, entrou na ala dos compositores da verde e rosa levado por ninguém menos que Cartola, fundador da escola. Nos anos 1960, foi um dos puxadores da agremiação. “Naquela época, a gente era chamado de crooner. O Jamelão foi quem autorizou: ‘Coloca o Tantinho que ele canta pra caralho!”‘

Captura de Tela 2016-06-27 às 23.53.55

São 67 anos de vida e 62 de Carnaval. “A gente só se interessa pela Mangueira”, diz. Apreciador do samba de partido-alto, o mangueirense lamenta o rumo atual do Carnaval carioca: “Nunca houve esse estilo de samba-enredo atual, essa correria, essa ignorância de linha melódica. Há uma descaracterização dos sambas de terreiros. Isso deixou os compositores antigos sem rumo.”

***

Aos 88 anos, Djalma Sabia é o único fundador vivo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Sua casa, na Tijuca, é um dormitório de no máximo 20m2. E as paredes são tomadas por centenas de fotos, quadros, troféus, recortes de imprensa: trata-se de um museu sobre a história da vermelho e branco.

é o único fundador vivo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Sua casa, na Tijuca, é um dormitório de no máximo 20m2. E as paredes são tomadas por centenas de fotos, quadros, troféus, recortes de imprensa: trata-se de um museu sobre a história da vermelho e branco.

“Minha casa vive cheia de historiadores, pesquisadores e estudantes”, diz o autor de seis sambas-enredo para a escola. “Eu largava tudo pelo Salgueiro, até minha família. Era tudo por amor.” Hoje, olha desconfiado o futuro do Carnaval e das escolas: “O samba mudou muito. A escola de samba virou uma casa de shows. Mas a gente tem que aceitar, mesmo que a contra gosto. É tudo por conta do capital, pois sem dinheiro você não faz nada”.

Captura de Tela 2016-06-27 às 23.53.24

*Ilustrações de Luciano Schmitz