Paulão 7 Cordas reúne momentos da carreira em novo canal no Youtube

O violonista e produtor Paulão 7 Cordas, um dos mestres do Coletivo, lançou seu canal no Youtube reunindo registros de shows, entrevistas e encontros marcantes dos quase 50 anos de carreira.

O bamba Paulão 7 Cordas é uma enciclopédia da música popular brasileira, mas, antes de tudo, um amante da nossa cultura. O violonista já produziu nomes como Dona Ivone Lara, Zé Keti e Nelson Cavaquinho e acompanha Zeca Pagodinho há mais de 30 anos. Além disso, é figura respeitada e frequente em vários projetos e rodas de samba em todo Brasil.

E é justamente um pouco de toda essa memória que Paulão apresenta em seu novo canal no Youtube (já se inscreve aqui!). 😉

São vários vídeos como momentos de gravações e shows, como o encontro incrível com Zeca Pagodinho e Rogério Caetano, além do show no Instrumental Sesc Brasil, ao lado de seu filho Ramon Araújo, com o projeto “Conversa de Violões”:

O canal também tem uma parte dedicada às entrevistas, como a participação do produtor no programa Samba na Gamboa, ao lado das Pastoras da Portela:

Vale a pena navegar também na playlist dos encontros em projetos e redutos de todo país, como essa roda de choro no Bip-Bip, e essa trinca virtual formada por Paulão, Fabiana Cozza e Nailor Proveta:

Por fim, o canal ainda tem tempo para deixar participações de Paulão em documentários, como essa peça rara na qual Elton Medeiros e Cristina Buarque puxam a roda no filme “Samba em Copacabana”:

Inscreva-se no canal e repasse a informação para os amigos e amigas que gostam da boa música brasileira! 😉

Dois bambas que se despediram no 21 de maio

A data marca a perda de dois grandes do samba: Geraldo Babão e Argemiro da Portela

A última sexta passou, porém, antes que ela passe completamente, façamos duas lembranças: a Geraldo Babão e Argemiro da Portela, que faleceram em 1988 e 2003, respectivamente.

Geraldo Babão

“Quem sabe das coisas é o Geraldo Babão! Lá do Salgueiro!”, dizia Martinho da Vila.

Nascido no próprio morro do Salgueiro, o sambista foi um versador do primeiro time, como mostra o documentário “Partideiros”, lançado em 1978, sob a direção de Carlos Tourinho e Clóvis Scarpino. Vale assistir.

Geraldo é um dos maiores nomes da agremiação que ajudou a fundar, inclusive com um samba de união, o Salgueiro, e autor de diversos sambas-enredo da escola.

Seu pai músico o ensinou a tocar flauta, seu diferencial e motivo do seu apelido:

“Tocava horas a fio pelas vielas do morro, e a saliva que saía da boca para não machucar os lábios em contato com a flauta lhe rendeu o apelido que o consagraria no carnaval carioca: Geraldo Babão”, como conta a reportagem do jornal Extra.

Já este depoimento do Djalma Sabiá, único fundador vivo da escola, ressalta essa qualidade musical de Geraldo: “não tinha pra ninguém”. E revela: “tinha que comprar conhaque, cachaça. Ele só funcionava assim”:

Cristina Buarque, Tuco Pellegrino e a rapaziada do Terreiro Grande cantam “Ingrata Solidão”, de Geraldo Babão:

O humor de Geraldo Babão interpretado por Roberto Ribeiro, no “Samba do Sofá”:

“Morro de Inspiração”, Geraldo Babão por ele mesmo falando sobre o Morro do Salgueiro:

Argemiro da Portela

Certa vez, o Paulinho da Viola levou o Chico Buarque e o Vinícius de Moraes pra ver um garoto bom que tava começando. Era o Argemiro da Portela, ou, naquela época, Argemiro do Pandeiro.

Os dois compositores consagrados trataram logo de ‘testar’ Argemiro ao pedir para o garato fazer um samba para uma garrafa que estava sob a mesa:

– Eu não! Não sinto nada por ela! – respondeu Argemiro.

Se o samba para a garrafa não saiu, saiu “Minha inspiração”, uma resposta do mais alto nível para Chico e Vinícius:

Este trecho foi extraído do documentário “Mistério do Samba”, produzido pela Marisa Monte, e que foca nas produções e nas vidas dos integrantes da Velha Guarda da Portela, da qual Argemiro foi integrante.

Para fechar, composição dele e de Alberto Lonato na voz do próprio Argemiro e de Zeca Pagodinho:

Mais um bamba que faz aniversário

Membro da ala dos compositores da Portela, Picolino fez 85 anos no último 13 de maio

Para quem não sabe, o sambista foi, em 1963, ao lado de Candeia, Casquinha, Casemiro, Arlindo Pai, Jorge do Violão e Davi do Pandeiro, um dos “Mensageiros do Samba”:

Ao longo de sua trajetória, Picolino gravou dois discos solos: “Chegou Portela”, de 1969 e o “Sambistas Unidos”, de 1975.

Sou pobre pescador e vou fazer minha oração
em noite de lua cheia vou pedir a proteção
a proteção do mar pra me ajudar
e a lua cheia vai clarear
e no clarão da lua eu vou pescar”