Deusa Negra do Samba Rock, Geovana volta à cena

Coletivo Sindicato do Samba coordena financiamento coletivo para a gravação do novo disco da cantora e compositora Geovana, que ficou conhecida como Deusa Negra do Samba Rock nas décadas de 1970 e 80.

O projeto prevê o lançamento do disco “Brilha Sol”, que apresentará músicas autorais e inéditas da sambista que lançou seu último LP em 1988, mais de 30 anos atrás. Participe aqui!

Conhecida nas décadas de 1970 e 80 por seu talento como compositora, Maria Teresa Gomes nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, no ano de 1948 e ficou conhecida artisticamente como Geovana.

Cresceu no Morro do Laboriaux, na Rocinha, e aprendeu com a família os toques do candomblé, seguindo no caminho da música e despontando como vencedora na Bienal do Samba com a música de sua autoria “Pisa nesse chão com força”, no ano de 1971.

Geovana ficou conhecida por ser “A Deusa Negra do Samba Rock” a partir do sucesso do seu primeiro LP, gravado em 1975, “Quem tem carinho me leva” (imagem abaixo). Ao longo da sua trajetória, a artista teve músicas gravadas por nomes importantes como, por exemplo, Clara Nunes, Wilson Simonal e Martinho da Vila e participou de importantes momentos históricos como os encontros e apresentações do Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, no final da década de 1960.

É de sua autoria clássicos do cancioneiro popular como “Irene”, canção que ganhou fama na interpretação do conjunto Fundo de Quintal, e “Beijo Sabor Cerejeira”, um clássico do samba-rock, do qual Geovana se tornou uma referência, assim como do partido alto, subgênero do samba.

Após a gravação do seu segundo trabalho solo, em 1987, Geovana caiu no esquecimento e ostracismo. No início dos anos 2000, a cantora mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar como segurança numa casa noturna no centro da cidade.

Foi neste período que a compositora restabeleceu laços e se aproximou do Batalhão da Vagabundagem, movimento de samba paulistano, e também do Coletivo Sindicato do Samba, grupo que iniciou um processo de reestruturação pessoal e da carreira de Geovana.

Brilha Sol

Geovana nunca deixou de compor. Dessa maneira, após mais de 30 anos longe dos estúdios e com 70 anos de vida, a compositora tinha (e tem!) muita coisa para mostrar. E é justamente desse processo que nasceu o projeto Brilha Sol, que reúne músicas inéditas e tem previsão para lançamento em junho de 2019, quando a cantora celebra aniversário.

O trabalho contará com o apoio dos músicos do Conjunto Tataruê, grupo que acompanha Geovana nos últimos anos, e também terá participações especiais de nomes consagrados e importantes da música brasileira como: Adelzon Alves, Fabiana Cozza, Luiz Grande, Curumin e outras surpresas.

Financiamento Coletivo

Por ser um trabalho independente e sem nenhum tipo de apoio, o projeto “Brilha Sol” viu no modelo de financiamento coletivo a saída para concretizar e realizar a gravação do novo CD da cantora e compositora Geovana. Para quem ainda não conhece, essa prática é bastante comum para viabilizar e tirar do papel projetos fundamentais para nossa cultura e funciona de maneira bem simples.

Para participar, basta escolhar uma das opções que melhor te atenda (coluna à direita). Cada uma delas oferece um pacote de contra-partidas, com presentes, prendas e experiências únicas e especiais. Tem opção para todos bolsos! Mas lembre-se: o mais importante de tudo é que, nesse processo, somos todos um só e só não vale ficar fora da corrente. Vamos juntos!

Ah! Vale lembrar que a campanha só é bem sucedida caso a meta mínima seja atingida. Caso contrário, todo valor arrecadado é devolvido aos benfeitores e benfeitoras. Mas, claro, não vamos deixar isso acontecer, né? Vamos participar, contribuir, avisar os amigos e amigas e compartilhar nas nossas redes!

Acesse: https://benfeitoria.com/GeovanaBrilhaSol e vire um benfeitor ou benfeitora! Vamos construir esta história juntos! 🙂

 

Marquinhos Diniz chega a Pauliceia para maratona de Samba

Coletivo Sindicato do Samba organiza viagem do sambista e partideiro para São Paulo, onde participa de rodas de importantes movimentos de samba da cidade. Confira a programação!

O cantor e compositor Marquinhos Diniz desembarca na Pauliceia no dia 2 de março, sexta-feira, para uma agenda que promete muito samba e partido alto.

Filho do baluarte Monarco e integrante do saudoso Trio Calafrio, o portelense Marquinhos Diniz é autor de sambas gravados por nomes como Zeca Pagodinho e Bezerra da Silva e uma das principais vozes do subúrbio carioca.

Confira abaixo a agenda completa de Marquinhos Diniz em São Paulo (clique sobre o nome de cada evento para obter mais informações):

2 de março, sexta-feira:

3 de março, sábado:

4 de março, domingo:

2017 marca estreia de projeto no Centro Cultural Solar Wilson Moreira

Coletivo Sindicato do Samba inicia projeto em parceria com Centro Cultural Solar Wilson Moreira, no Rio de Janeiro.

Ao longo do ano de 2017, tivemos o privilégio de realizar algumas rodas no importante Centro Cultural Solar Wilson Moreira, espaço que valoriza e preserva a obra do sambista Wilson Moreira. O projeto “Flores em Vida” teve início no segundo semestre de 2017 e realiza um evento mensal, sempre em homenagem e dedicado a grandes compositores e compositoras do nosso samba. Confira abaixo um pouco de como foram as primeiras edições:

Homenagem a Luiz Grande

Em agosto, na primeira edição, recebemos bambas como Edil Pacheco, Marquinhos Diniz e Toninho Nascimento para uma homenagem especial ao compositor Luiz Grande, que não resistiu a um avançado quadro de diabetes e faleceu no final de julho. Para quem ainda não sabe, Luiz foi o primeiro mestre do Coletivo, além, claro de um dos maiores compositores do samba sincopado. Continuará sempre na nossa lembrança e na luta diária pela valorização do samba, por mais que seja necessário “talento e sacrifício”:

Homenagem a Wilson das Neves

Infelizmente, nossa segunda roda também foi de homenagem: ao compositor e percussionista Wilson das Neves, vítima de um câncer aos 81 anos. Vale lembrar que, dois meses antes, por coincidências da vida, estivemos juntos em São Paulo para participar de seu último show, em celebração ao seu aniversário. Deixara muita saudades. Parafraseando Cláudio Jorge, “Ô sorte” a nossa de ter convivido com esse bamba.


A arte de Toninho Nascimento

Em outubro, tivemos a felicidade de receber um dos maiores compositores da nossa música popular brasileira: Toninho Nascimento, autor de sucessos como “Peregrino” e “Conto de Areia” e gravado por gente como Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberto Ribeiro.

Chico Alves e a Caninana

Novembro foi o mês do bamba Chico Alves apresentar seu repertório autoral. O compositor e cantor, que participou de todas as edições anteriores, mandou muita brasa como “Caninana”, “Berço de Sereia” e “Vai da Valsa”.

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Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz

Para fechar o ano, mais uma homenagem ao nosso mestre Luiz Grande, dessa vez com a presença de Marquinhos Diniz e Barbeirinho do Jacarezinho: o famoso Trio Calafrio.

Luiz Grande agita Belo Horizonte com muito samba

Entre os dias 7 e 9 de abril de 2016, o Coletivo Sindicato do Samba acompanhou o mestre Luiz Grande em Belo Horizonte, Minas Gerais. Foram três apresentações: no NECUP, na Casinha e no Quintal do Divina Luz. Confira abaixo algumas fotos! Cliques incríveis do fotógrafo Vinicius Carvalho durante a apresentação no Divina Luz.

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Luiz Grande e as fotos incríveis da homenagem do Samba do Bule

A fotógrafa Mariana Caldas de Oliveira, que faz um belíssimo trabalho através do Poeme-se, registrou os lindos momentos da homenagem que o pessoal do Samba do Bule fez ao compositor Luiz Grande. As fotos são do último final de semana de maio. Veja abaixo: IMG_2180

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Veja as fotos de Luiz Grande no Traço de União

O fotógrafo Rafael Luvizetto deu uma aula e registrou a apresentação do compositor carioca Luiz Grande no Traço de União, em São Paulo, no dia 30 de maio. Confira abaixo:

Foto: Rafael Luvizetto
Foto: Rafael Luvizetto
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Foto: Rafael Luvizetto

Quatro dias com Luiz Grande, por Patrick Paes

“Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço”.

Por Patrick Paes*

Receber um ídolo nunca foi tarefa fácil. Por mais humano que seja, também de carne e osso, um ídolo traz consigo uma aura única.

Quando me foi incumbida à missão de receber Seu Luiz Grande confesso que fiquei aflito, mas uma aflição daquelas boas de sentir.

Quinta feira ele chegou e trouxe seu sorriso. Daqueles sinceros, cheios de emoção e verdade. Foi amor a primeira vista. Conversamos um pouco até a chegada na sede do TUOV para os preparativos finais de sua Homenagem na sexta. A noite estava fria e nossa típica garoa se fez presente. Tentamos então abreviar o ensaio para que sua saúde de sessenta e oito anos fosse preservada.

Sexta o dia era intenso e extenso. Começamos com uma gravação no estúdio do nosso irmão Guilherme Lacerda, no fim da tarde, com a presença ilustre da maravilhosa Geovana, passamos no programa “O samba pede passagem”, do querido Moyses da Rocha, e por fim emendamos nada menos que três diferentes rodas de Samba.

Primeiro, no Batalhão da Vagabundagem onde o clima era surreal, posto que ali todos respiram a história do Seu Luiz e reconhecem em suas letras a rotina difícil de um brasileiro cheio de dificuldades. Depois, uma apresentação impecável no Bar Samba. E, por fim, uma linda Homenagem no terreiro do Samba do Bule.

Sábado começou e com mais duas apresentações nós fechamos a série intensa. A primeira no Traço de união e no fim da noite no Bargaça, na vila madalena.

Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)
Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)

Quando Domingo chegou e eu percebi que aquele sonho estava acabando um pequeno abatimento me bateu. E foi me batendo até a despedida no aeroporto. Mas a despedida foi em tom de até logo e espero, assim que possível, encontrá-lo em território carioca.

Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço. Seus ensinamentos não são de forma didática, são envolvidos em nuances que só mais de cinqüenta anos de rua podem te dar. E por mais clichê que pareça você percebe que a felicidade se resume SIM a esses pequenos momentos solenes e puros.
Muito obrigado a todos que fizeram desse fim de semana inesquecível.

Meu eterno agradecimento a você Luiz Grande, que tem esse nome não só pela estatura, mas pelo Grande homem que foi, é e sempre será.
Viva o Samba e nossa Cultura Brasileira tão rica e bela.

* Administrador e músico, Patrick Paes recebeu o compositor carioca Luiz Grande em sua casa em São Paulo, entre os dias 28 e 31 de maio.

Luiz grande se apresenta em São Paulo

Nos dias 29 e 30 de maio, o compositor carioca vem à Pauliceia para ser homenageado pelo Samba do Bule e é o convidado especial do Traço de União e do Bargaça. Confira abaixo as informações.

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Luiz Grande começou a batucar aos 18 e hoje já são 50 anos de samba.

Taxista durante a maior parte da vida, levava – ainda leva – a vida paralela de compositor.

Participou de grupos de samba na década de 1960 e foi gravado por diversos cantores como João Nogueira, que estourou seu primeiro sucesso: “Maria Rita”.

Depois, foi gravado por diversos intérpretes como, por exemplo, Bezerra da Silva e Elza Soares.

Entre os anos 80 e 90, formou o grupo Trio Calafrio, formação que é autora de várias músicas famosas gravadas por Zeca Pagodinho, como “Parabólica”, “Dona Esponja” e “Caviar”. Aliás, o trio está novamente no novo disco do Zeca, com “Mané Rala Peito” (escute abaixo).

LUIZ GRANDE SE APRESENTA EM SÃO PAULO

SAMBA DO BULE RECEBE LUIZ GRANDE
29 de maio, sexta-feira, 23 horas
R$5,00 (sugestão)
Rua Newton Prado, 766
Tel 11- 3331 1001
Clique aqui para ver o evento no facebook

TRAÇO DE UNIÃO CONVIDA LUIZ GRANDE
30 de maio, sábado, 16 horas
Até as 17h:
Mulher R$25 | Homem R$35
Após as 17h:
Mulher R$30 | Homem R$50
Rua Cláudio Soares, 73 – Pinheiros
Telefone:(11) 3816-7693
Mais informações clique aqui e veja no site do Traço

O LADO B DE LUIZ GRANDE
Sábado, 30 de maio, 23 horas
R$20,00
Bar Bargaca – Rua Aspicuelta, 30 – Vila Madalena
Telefone: (11) 982747934
Clique aqui para ver o evento no facebook

O Samba autêntico e suburbano de Luiz, o Grande

O samba de Luiz é mais que grande: é gigante, é autêntico. E isso fica claro revendo sua trajetória de 50 anos de samba

Aconteceu na década 70, no Rio de Janeiro.

Luiz Grande dirigia silenciosamente o seu táxi quando o passageiro pediu para aumentar o volume do rádio e, então, soou a voz de João Nogueira perguntando sobre o paradeiro de uma certa Maria Rita:

Autor da música, Luiz nada disse:

– Pô, o cara não ia acreditar, ele ia achar que era caô meu!

O episódio é engraçado, mas também revela um pouco de como é árdua a caminhada do compositor. É necessário muito Talento e Sacrifício:

Por outro lado, também cria uma cena curiosa: muitas vezes, as pessoas desconhecem o compositor, mas conhecem suas músicas. Esse é provavelmente o caso de Luiz Grande, com quase 70.

Seus sambas são crônicas ricas do subúrbio carioca que Zeca Pagodinho registrou. Talvez daí, você já conheça as sempre humoradas histórias de Luiz e seus parceiros do Trio Calafrio.

Pode ser um barraco valorizado só por causa de uma Parabólica, um Sururu na Feira que Mariazinha causou ou, até mesmo, o Caviar que a gente só ouve falar.

Luiz Grande consegue captar personagens e cenas desse Suburbano Feliz:

Não esqueçamos também que o subúrbio tem malandragem, e não vem que não tem, pois o samba de Luiz não é de Malandro 100: é de malandro de verdade!

Malandro que foi gravado por Bezerra da Silva e que tem sua fonte de inspiração nas tendinhas e botequins, nas favelas e nas quebradas.

Malandro partideiro, que sabe que na Boca do Mato, às vezes, é melhor corcoviar a não ter história pra contar. Ou melhor, a não ter samba pra fazer: