Dois bambas que se despediram no 21 de maio

A data marca a perda de dois grandes do samba: Geraldo Babão e Argemiro da Portela

A última sexta passou, porém, antes que ela passe completamente, façamos duas lembranças: a Geraldo Babão e Argemiro da Portela, que faleceram em 1988 e 2003, respectivamente.

Geraldo Babão

“Quem sabe das coisas é o Geraldo Babão! Lá do Salgueiro!”, dizia Martinho da Vila.

Nascido no próprio morro do Salgueiro, o sambista foi um versador do primeiro time, como mostra o documentário “Partideiros”, lançado em 1978, sob a direção de Carlos Tourinho e Clóvis Scarpino. Vale assistir.

Geraldo é um dos maiores nomes da agremiação que ajudou a fundar, inclusive com um samba de união, o Salgueiro, e autor de diversos sambas-enredo da escola.

Seu pai músico o ensinou a tocar flauta, seu diferencial e motivo do seu apelido:

“Tocava horas a fio pelas vielas do morro, e a saliva que saía da boca para não machucar os lábios em contato com a flauta lhe rendeu o apelido que o consagraria no carnaval carioca: Geraldo Babão”, como conta a reportagem do jornal Extra.

Já este depoimento do Djalma Sabiá, único fundador vivo da escola, ressalta essa qualidade musical de Geraldo: “não tinha pra ninguém”. E revela: “tinha que comprar conhaque, cachaça. Ele só funcionava assim”:

Cristina Buarque, Tuco Pellegrino e a rapaziada do Terreiro Grande cantam “Ingrata Solidão”, de Geraldo Babão:

O humor de Geraldo Babão interpretado por Roberto Ribeiro, no “Samba do Sofá”:

“Morro de Inspiração”, Geraldo Babão por ele mesmo falando sobre o Morro do Salgueiro:

Argemiro da Portela

Certa vez, o Paulinho da Viola levou o Chico Buarque e o Vinícius de Moraes pra ver um garoto bom que tava começando. Era o Argemiro da Portela, ou, naquela época, Argemiro do Pandeiro.

Os dois compositores consagrados trataram logo de ‘testar’ Argemiro ao pedir para o garato fazer um samba para uma garrafa que estava sob a mesa:

– Eu não! Não sinto nada por ela! – respondeu Argemiro.

Se o samba para a garrafa não saiu, saiu “Minha inspiração”, uma resposta do mais alto nível para Chico e Vinícius:

Este trecho foi extraído do documentário “Mistério do Samba”, produzido pela Marisa Monte, e que foca nas produções e nas vidas dos integrantes da Velha Guarda da Portela, da qual Argemiro foi integrante.

Para fechar, composição dele e de Alberto Lonato na voz do próprio Argemiro e de Zeca Pagodinho:

Mais um bamba que faz aniversário

Membro da ala dos compositores da Portela, Picolino fez 85 anos no último 13 de maio

Para quem não sabe, o sambista foi, em 1963, ao lado de Candeia, Casquinha, Casemiro, Arlindo Pai, Jorge do Violão e Davi do Pandeiro, um dos “Mensageiros do Samba”:

Ao longo de sua trajetória, Picolino gravou dois discos solos: “Chegou Portela”, de 1969 e o “Sambistas Unidos”, de 1975.

Sou pobre pescador e vou fazer minha oração
em noite de lua cheia vou pedir a proteção
a proteção do mar pra me ajudar
e a lua cheia vai clarear
e no clarão da lua eu vou pescar”

Haroldo Costa completa 85 anos

Liderança da mais alta patente, o escritor e produtor carioca fez aniversário neste 13 maio

Haroldo Costa completou 85 anos na quarta-feira da semana passada. Por diversos motivos, Haroldo merece todo o nosso respeito e nossa humilde homenagem.

Ator, produtor, escritor e jornalista, Haroldo é uma das referências no estudo do negro e da cultura negra no Brasil, como fica evidente nessa entrevista para Cultcine:

Outro motivo central que eleva Haroldo a essa figura maior do mundo do samba é o seu trabalho de pesquisa e registro da história do Salgueiro. O escritor é autor das obras: “Salgueiro – 50 anos de Glória” e “Salgueiro: Academia de Samba”.

Vale lembrar também que Haroldo lançou outros livros como, por exemplo, “Ernesto Nazareh – Pianeiro do Brasil”, que reconstrói a vida e obra do chorão.