Programa Todas as Bossas homenageia Nelson Sargento

Celebrando 94 anos, o baluarte Nelson Sargento foi tema do especial do programa “Todas as Bossas”, da TV Brasil (assista abaixo). A gravação contou com a participação de um time de peso: Monarco, Jongo da Serrinha, Noca da Portela, Tantinho da Mangueira, Agenor de Oliveira, Didu Nogueira, Áurea Martins, WIlson Moreira, Adelzon Alves, Paulinho do Cavaco, Vidal Assis, Dudu Oliveira, Alice Sales, Ronaldo do Bandolim, além do próprio Nelson. O Coletivo Sindicato do Samba teve a honra e a alegria de coordenar a parte musical do programa. Esperamos que gostem!

A importância de Adelzon Alves, por Sérgio Fonseca

Radialista principalmente comprometido com as manifestações de nossa cultura popular, pesquisador, estudioso de harmonias e ritmos brasileiros, produtor musical, jornalista, locutor, respeitadíssimo no mundo das emissoras de rádio, há pelo menos cinco décadas vindo do Paraná para o Rio de Janeiro, Adelzon Alves se impôs como grande animador cultural da cidade e amigo da madrugada dos compositores.

Seu conhecimento de causa não se prende exclusivamente ao livresco: ele vai até onde ocorre o evento e se faz testemunha ocular do fato, seja na Baixada, em Niterói, na região serrana ou dos lagos. Tocou Brasil, Adelzon tá lá.

Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga
Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga

Num tempo de modismos novidadeiros em que a chamada MPB, rotulada pela mídia impressa e falada, exclui de seu balaio o samba, o forró, o coco, o baião, o frevo e tantos outros gêneros de nosso riquíssimo cancioneiro, Adelzon não se exime de abrir discussão em defesa de nossa tradição. É um comunicador que ainda se dá ao luxo de ter opinião. E de veiculá-la em alto e bom som. E opinião, para nós que emergimos da escuridão de 64, por coincidência e sem trocadilho, sempre foi sinônimo de resistência.

É de crer, portanto, que, com isso, tenha angariado alguns rivais e sofrido algumas perseguições, classificado que foi, nos últimos anos, como um crítico radical. E o estranho disso tudo é que ser radical significa ir à raiz das coisas. Logo a pecha se dilui: de ofensa, me parece que passa a ser elogio. Sobretudo, num meio em que a produção de discos sempre esteve atrelada às imposições do mercado e ao capricho da moeda estrangeira das antigas gravadoras e editoras musicais.

Enfadonho seria enumerar os artistas descobertos e/ou lançados por ele: de memória, citamos alguns – Clara Nunes, João Nogueira, Ivone Lara, Djavan, Bezerra da Silva, Conjunto Nosso Samba, Candeia. De sua indicação, brotaram ainda Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Roberto Ribeiro, Janaína, Jurema, Ana Rosely e outros. Seus programas para as rádios MEC, Nacional e os vários musicais de teatro escritos e dirigidos por ele para vários grupos atestam a sua obsessão sadia pelo que é nosso. Uma coisa é certa: honestidade, seriedade e caráter sempre nortearam seu espírito e alicerçaram suas convicções. E aí a sua grande vaidade talvez seja esta: a de ser simples.

*Texto escrito pelo professor, poeta e compositor Sérgio Fonseca

Romildo, o compositor cheio das cantigas

Poucos lembram, mas já se passaram 25 anos que o compositor morreu, no dia 14 de maio

“O meu cantar foi a maneira que eu achei
Pra não guardar o pranto que eu não chorei”

“Escravo da música”, como ele próprio se definiu, Romildo ganhou alguma evidência midiática – quase nenhuma – através das suas parcerias com Toninho Nascimento.

As composições da dupla explodiram na voz de Clara Nunes nas décadas de 70 e 80:

Produzida na época por Adelzon Alves, o repertório de Clara acolhia e promovia diversos compositores populares, caso de Romildo. Clara era povo.

Dirigido por Walter Filé, vale ver o documentário da TV Maxambomba, que, pra variar, é show.

Nele, Romildo fala sobre o ‘teste’ que passou para entrar na Portela, além de contar e cantar histórias e cantigas: