Dia Nacional Wilson Moreira presta reverência ao sambista

Pelo segundo ano, projeto de valorização da memória e obra do mestre Wilson Moreira acontece em várias cidades do país. Coletivo atua como articulador 😉

Abaixo, algumas rodas que marcaram o Dia Nacional Wilson Moreira neste ano:

Dia Nacional Wilson Moreira

O sambista e compositor Wilson Moreira, autor de músicas como “Senhora Liberdade”, “Judia de Mim” e “Gostoso Veneno”, nasceu no 12 de dezembro de 1936, no bairro de Realengo.

Conhecido carinhosamente como Wilson Alicate – pelo firme e forte aperto de mão, o bamba nos deixou no dia 6 de setembro de 2018, vítima de um câncer de próstata.

Assim, na luta pela memória e obra do mestre, iniciou-se campanha para a criação do Dia Nacional Wilson Moreira, celebrando a data de aniversário do sambista.

Alô, liderança! Tá esperando o quê?

Faltam apenas alguns dias para acabar o financiamento coletivo para o projeto #BrilhaSol ☀ que irá gravar o novo disco da cantora e compositora Geovana. A meta é atingir a meta mínima até o dia 11 de abril.

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Conhecida como Deusa Negra do Samba Rock, a carioca Geovana despontou em 1971, quando consagrou-se vencedora da Bienal de Compositores com o clássico “Quem tem carinho me leva”:

Conviveu com a alta nata da música brasileira, nomes como Elis Regina, Silas de Oliveira, Pixinguinha e Donga, por exemplo. Gravada por artistas como Clara Nunes, Martinho da Vila e Wilson Simonal, Geovana é autora, ao lado de Beto sem Braço, de um dos sambas de maior sucesso, “Irene”, que ficou imortalizada com o grupo Fundo de Quintal.

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Organizado pelo Coletivo Sindicato do Samba, o projeto #BrilhaSol ☀ marca o retorno da compositora aos estúdios, mais de 30 anos após seu último trabalho, realizado em 1987.

Sem apoio ou patrocínio, o financiamento coletivo foi a alternativa encontrada para viabilizar a gravação do disco que terá um repertório totalmente inédito.

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Importante ressaltar que os participantes do projeto, além de viabilizarem o mesmo, também ganham recompensas e prendas especiais como Cds autografados, camisetas e, até, encontros com a própria Geovana.

Vale lembrar ainda que toda contribuição é importante! Isso pois o projeto só obtém êxito caso a meta mínima seja atingida (caso contrário as contribuições são devolvidas 😬).

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Por isso, liderança, tá esperando o quê?

Chegue junto e faça parte dessa história de valorização da cultura e música popular!

Clique aqui e participe 👉🏿 www.benfeitoria.com/geovanabrilhasol

Dúvidas, mais informações e contato através dos canais:
osindicatodosamba@gmail.com
(11)981875728

 

10 motivos para participar do novo disco da Geovana

Novo disco da Deusa Negra do Samba Rock, a cantora e compositora Geovana, precisa obter êxito no financiamento coletivo para ser viabilizado. Campanha vai até o dia 11 de abril. Participe!

Coletivo Sindicato do Samba articula projeto que traz a cantora e compositora Geovana de volta à cena após mais de 30 anos afastada.

A gravação do novo CD, que irá reunir músicas inéditas e se chamará “Brilha Sol”, depende do sucesso do financiamento coletivo. Por isso, listamos abaixo 10 motivos para você participar desse projeto! Confira:

1. Valorização da Cultura Brasileira

Ao participar do projeto, você também está, diretamente, participando de um processo de valorização da cultura e da música popular brasileira!

2. Fortalecimento do Samba e do Samba Rock

Além de endossar a valorização da cultura brasileira, sua participação também auxilia no fortalecimento do Samba e do Samba Rock, movimentos dos quais a Geovana é uma das principais referências.

3. CD autografado

Ao participar você não apenas garante seu CD, mas garante seu CD autografado pela própria Geovana! Um luxo!

4. Prendas Especiais

E tem mais! Além do CD autografado, você pode garantir camisetas e canecas personalizadas com o lema do projeto, quadros especiais e até ingressos para o show de lançamento do disco, que tem previsão de acontecer ainda neste ano de 2019. Gostou?

5. Encontros incríveis

Um das recompensas maravilhosas do projeto é a possibilidade de passar um dia ao lado da Geovana e conhecer um pouco mais sobre essa grade artista que conviveu com nomes como Elis Regina, Silas de Oliveira, Pixinguinha e muitos outros bambas. Ah! E você ainda tem a possibilidade de acompanhar um dia de gravação! 😉

6. Viabilização de um projeto independente

O financiamento coletivo foi a única maneira que encontramos para viabilizar este projeto que entendemos ser de extrema importância. Logo, ao participar você também é peça fundamental na realização desse projeto, que não tem apoios ou patrocínios.

7. Junto com a corrente

Você pode participar com valores que variam de R$ 15 a RS 15.000. Ou seja, tem pra todos os bolsos! O grande lance é não ficar de fora da corrente de amigos e amigas. Afinal, juntos somos mais fortes! Sua participação faz a diferença! 🙂

8. Meta mínima

É sempre importante lembrar e explicar: o projeto só é bem sucedido caso a meta mínima seja atingida. Caso contrário, as contribuições são devolvidas aos benfeitores, o que, claro, não queremos e nem vamos deixar acontecer. Em suma, só tem CD se a campanha foi exitosa e, para isso, você tem que estar dentro da corrente!

9. Contribuir com um trabalho histórico

A gravação do disco “Brilha Sol” significa também o retorno da Geovana aos estúdios após mais de 30 anos afastada do mercado musical. Ou seja, um projeto histórico de resgate de umas das grandes compositoras da música popular brasileira. Prova disso é que Geovana já teve suas músicas gravadas por gente como Clara Nunes, Martinho da Vila, Wilson Simonal, Fundo de Quintal e muitos outros nomes!

10. A hora é agora

Geovana nasceu em 1947 e já está com 71 anos. Além disso, a campanha vai somente até o dia 11 de abril. Isto significa dizer que, caso não seja atingida a meta mínima, o projeto não irá acontecer e a Gegê já não é mais nenhuma menina. Ou seja, a hora é agora!

Não perca tempo! Clique aqui e participe!

 

Deusa Negra do Samba Rock, Geovana volta à cena

Coletivo Sindicato do Samba coordena financiamento coletivo para a gravação do novo disco da cantora e compositora Geovana, que ficou conhecida como Deusa Negra do Samba Rock nas décadas de 1970 e 80.

O projeto prevê o lançamento do disco “Brilha Sol”, que apresentará músicas autorais e inéditas da sambista que lançou seu último LP em 1988, mais de 30 anos atrás. Participe aqui!

Conhecida nas décadas de 1970 e 80 por seu talento como compositora, Maria Teresa Gomes nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, no ano de 1948 e ficou conhecida artisticamente como Geovana.

Cresceu no Morro do Laboriaux, na Rocinha, e aprendeu com a família os toques do candomblé, seguindo no caminho da música e despontando como vencedora na Bienal do Samba com a música de sua autoria “Pisa nesse chão com força”, no ano de 1971.

Geovana ficou conhecida por ser “A Deusa Negra do Samba Rock” a partir do sucesso do seu primeiro LP, gravado em 1975, “Quem tem carinho me leva” (imagem abaixo). Ao longo da sua trajetória, a artista teve músicas gravadas por nomes importantes como, por exemplo, Clara Nunes, Wilson Simonal e Martinho da Vila e participou de importantes momentos históricos como os encontros e apresentações do Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, no final da década de 1960.

É de sua autoria clássicos do cancioneiro popular como “Irene”, canção que ganhou fama na interpretação do conjunto Fundo de Quintal, e “Beijo Sabor Cerejeira”, um clássico do samba-rock, do qual Geovana se tornou uma referência, assim como do partido alto, subgênero do samba.

Após a gravação do seu segundo trabalho solo, em 1987, Geovana caiu no esquecimento e ostracismo. No início dos anos 2000, a cantora mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar como segurança numa casa noturna no centro da cidade.

Foi neste período que a compositora restabeleceu laços e se aproximou do Batalhão da Vagabundagem, movimento de samba paulistano, e também do Coletivo Sindicato do Samba, grupo que iniciou um processo de reestruturação pessoal e da carreira de Geovana.

Brilha Sol

Geovana nunca deixou de compor. Dessa maneira, após mais de 30 anos longe dos estúdios e com 70 anos de vida, a compositora tinha (e tem!) muita coisa para mostrar. E é justamente desse processo que nasceu o projeto Brilha Sol, que reúne músicas inéditas e tem previsão para lançamento em junho de 2019, quando a cantora celebra aniversário.

O trabalho contará com o apoio dos músicos do Conjunto Tataruê, grupo que acompanha Geovana nos últimos anos, e também terá participações especiais de nomes consagrados e importantes da música brasileira como: Adelzon Alves, Fabiana Cozza, Luiz Grande, Curumin e outras surpresas.

Financiamento Coletivo

Por ser um trabalho independente e sem nenhum tipo de apoio, o projeto “Brilha Sol” viu no modelo de financiamento coletivo a saída para concretizar e realizar a gravação do novo CD da cantora e compositora Geovana. Para quem ainda não conhece, essa prática é bastante comum para viabilizar e tirar do papel projetos fundamentais para nossa cultura e funciona de maneira bem simples.

Para participar, basta escolhar uma das opções que melhor te atenda (coluna à direita). Cada uma delas oferece um pacote de contra-partidas, com presentes, prendas e experiências únicas e especiais. Tem opção para todos bolsos! Mas lembre-se: o mais importante de tudo é que, nesse processo, somos todos um só e só não vale ficar fora da corrente. Vamos juntos!

Ah! Vale lembrar que a campanha só é bem sucedida caso a meta mínima seja atingida. Caso contrário, todo valor arrecadado é devolvido aos benfeitores e benfeitoras. Mas, claro, não vamos deixar isso acontecer, né? Vamos participar, contribuir, avisar os amigos e amigas e compartilhar nas nossas redes!

Acesse: https://benfeitoria.com/GeovanaBrilhaSol e vire um benfeitor ou benfeitora! Vamos construir esta história juntos! 🙂

 

Wilson Moreira, um sonho nosso e da música brasileira

Tenho compreensão que uma das mais bonitas histórias da minha vida foi conviver com mestre Wilson Moreira. Serei eternamente grato a isso.

Além de todas os causos, risadas e ensinamentos, coleciono também algumas cenas. Uma delas é a lembrança das muitas pastas em seu quarto, cheia de canções, caprichosamente refinadas, meticulosamente trabalhadas, palavra a palavra. Certa vez, no início de 2017, descobri que uma destas pastas abrigava sambas “feitos para a criançada e para os jovens”, uma ideia de Wilson e de sua companheira valente Angela Nenzy, importante pesquisadora e produtora.

Virou prioridade absoluta: desde o início dos anos 2000, nosso querido Alicate compunha inspirado em seu tempo e recordações da infância, músicas que apresentamos neste “Tá com medo, Tabareu?”, expressão que o então menino Wilson escutou em certo final de tarde, quando empinava pipa no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, onde cresceu.

Assim, através de um financiamento coletivo e apoio de muita gente amiga e querida (muito obrigado a todos benfeitores e benfeitoras), foi possível iniciar o projeto, em um processo longo e trabalhoso, sempre respeitando os limites dos mais de 80 anos do seu Moreira. Por sinal, nosso mestre foi impecável! Guerreiro determinado, de entrega total, um verdadeiro bamba, que estava com saudades do estúdio, já que não gravava um disco há mais de 20 anos.

Seria injusto não lembrar e destacar o carinho, talento e lealdade do maestro Paulão 7 Cordas que topou o projeto de pronto e sempre buscou confortar seu Wilson e ajudar a encontrar os seus caminhos melódicos, preservando toda a originalidade de suas composições.

Tal qual os Ibejis, Moreira sempre conservou a alma doce e pura, não por coincidência isso esteve tão forte no final da sua caminhada e culminou neste disco. De uma luminosidade infinita, Wilson nos brilhará sempre, afinal, ele foi mais que um sonho só meu, foi um sonho da música popular brasileira.

* Texto escrito por Camilo Árabe e publicado no encarte do disco “Tá com medo, Tabaréu?” do mestre Wilson Moreira. Camilo é um dos fundadores do Coletivo Sindicato do Samba e o responsável pela produção do disco de Wilson.

2017 marca estreia de projeto no Centro Cultural Solar Wilson Moreira

Coletivo Sindicato do Samba inicia projeto em parceria com Centro Cultural Solar Wilson Moreira, no Rio de Janeiro.

Ao longo do ano de 2017, tivemos o privilégio de realizar algumas rodas no importante Centro Cultural Solar Wilson Moreira, espaço que valoriza e preserva a obra do sambista Wilson Moreira. O projeto “Flores em Vida” teve início no segundo semestre de 2017 e realiza um evento mensal, sempre em homenagem e dedicado a grandes compositores e compositoras do nosso samba. Confira abaixo um pouco de como foram as primeiras edições:

Homenagem a Luiz Grande

Em agosto, na primeira edição, recebemos bambas como Edil Pacheco, Marquinhos Diniz e Toninho Nascimento para uma homenagem especial ao compositor Luiz Grande, que não resistiu a um avançado quadro de diabetes e faleceu no final de julho. Para quem ainda não sabe, Luiz foi o primeiro mestre do Coletivo, além, claro de um dos maiores compositores do samba sincopado. Continuará sempre na nossa lembrança e na luta diária pela valorização do samba, por mais que seja necessário “talento e sacrifício”:

Homenagem a Wilson das Neves

Infelizmente, nossa segunda roda também foi de homenagem: ao compositor e percussionista Wilson das Neves, vítima de um câncer aos 81 anos. Vale lembrar que, dois meses antes, por coincidências da vida, estivemos juntos em São Paulo para participar de seu último show, em celebração ao seu aniversário. Deixara muita saudades. Parafraseando Cláudio Jorge, “Ô sorte” a nossa de ter convivido com esse bamba.


A arte de Toninho Nascimento

Em outubro, tivemos a felicidade de receber um dos maiores compositores da nossa música popular brasileira: Toninho Nascimento, autor de sucessos como “Peregrino” e “Conto de Areia” e gravado por gente como Elizeth Cardoso, Clara Nunes e Roberto Ribeiro.

Chico Alves e a Caninana

Novembro foi o mês do bamba Chico Alves apresentar seu repertório autoral. O compositor e cantor, que participou de todas as edições anteriores, mandou muita brasa como “Caninana”, “Berço de Sereia” e “Vai da Valsa”.

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Barbeirinho do Jacarezinho e Marquinhos Diniz

Para fechar o ano, mais uma homenagem ao nosso mestre Luiz Grande, dessa vez com a presença de Marquinhos Diniz e Barbeirinho do Jacarezinho: o famoso Trio Calafrio.

Ao lado de Nelson Sargento em casa: quanta honra!

Coletivo Sindicato do Samba acompanhou baluarte de 93 anos em show na Sala Municipal Baden Powell, no Rio de Janeiro.

Foi uma honra e alegria enorme receber convite do mestre Nelson Sargento para acompanhá-lo em seu projeto Nelson Sargento em Casa, que aconteceu no dia 20 de janeiro, no Rio de Janeiro.

E tudo ficou ainda mais especial: o projeto repercutiu em notícia no Jornal O Globo, na qual Nelson afirma que o Coletivo Sindicato do Samba “é um grupo maravilhoso que defende o samba de uma maneira sem igual”. Quer mais?

Abaixo, alguns vídeos da apresentação e, claro, não deixe de conferir as fotos da Carolina Merat!

Um pouco mais sobre o compositor Toninho Nascimento

Compositor paraense e portelense é o convidado da festa da Coletivo Sindicato do Samba que acontece no próximo dia 11, sábado, na cidade de São Paulo.

Aproveitando que no próximo final de semana a Rua Cotoxó, no bairro da Pompeia,  vai ferver com um samba cheio de alegria e amizade, resolvemos preparar este material especial sobre o Toninho Nascimento, compositor que teremos a honra de receber em nossa festa (Veja todas as informações da festa!)

Natural do Pará e radicado no Rio de Janeiro, Toninho é autor de canções que se tornaram clássicos da música brasileira. Quem é que não conhece ou nunca escutou, por exemplo, a cantora Clara Nunes ecoar os famosos versos: “É água no mar, é maré cheia, mareia, ô, mareia!”?

Pois é, “Conto de Areia” foi uma das várias músicas feitas por Toninho em parceria com seu amigo Romildo. Muitas delas foram gravadas por Clara, que os tinha como dupla de compositores preferidos:

Essa reportagem do jornal O Globo, de 2014, logo quando Toninho ganhou o terceiro samba consecutivo na Portela, conta um pouco mais sobre o compositor e como foi o seu começo na música:

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Vale também assistir a entrevista de Toninho concedida para Valter Filé, no projeto Puxando Conversa, na qual conta sobre importância do seu estado natal, o Pará, no norte do Brasil, em sua formação e obra. Além de músicas, a entrevista resgata histórias engraçadas como a do período em que Toninho trabalhava no Ministério do Planejamento.

Toninho ao lado de Fred Camacho, Moacyr Luz, Claudemir e Paulo César Feital: todos ganhadores de samba-enredo em 2017

Talento para compor

O talento de Toninho é inconfundível: além de sucessos que ficaram na memória, o compositor também tem precisão e talento para ganhar disputas de samba-enredo. Ao menos foi assim na Portela, quando emplacou vitórias, e também em 2017, quando teve o samba vencedor na São Clemente, um parceria com o amigo Luiz Carlos Máximo.

E suas músicas vão muito além. Com vasto conhecimento e formado em Filosofia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Toninho hoje vê sua obra aparecer nos discos dos principais artistas do país:



A importância de Adelzon Alves, por Sérgio Fonseca

Radialista principalmente comprometido com as manifestações de nossa cultura popular, pesquisador, estudioso de harmonias e ritmos brasileiros, produtor musical, jornalista, locutor, respeitadíssimo no mundo das emissoras de rádio, há pelo menos cinco décadas vindo do Paraná para o Rio de Janeiro, Adelzon Alves se impôs como grande animador cultural da cidade e amigo da madrugada dos compositores.

Seu conhecimento de causa não se prende exclusivamente ao livresco: ele vai até onde ocorre o evento e se faz testemunha ocular do fato, seja na Baixada, em Niterói, na região serrana ou dos lagos. Tocou Brasil, Adelzon tá lá.

Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga
Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga

Num tempo de modismos novidadeiros em que a chamada MPB, rotulada pela mídia impressa e falada, exclui de seu balaio o samba, o forró, o coco, o baião, o frevo e tantos outros gêneros de nosso riquíssimo cancioneiro, Adelzon não se exime de abrir discussão em defesa de nossa tradição. É um comunicador que ainda se dá ao luxo de ter opinião. E de veiculá-la em alto e bom som. E opinião, para nós que emergimos da escuridão de 64, por coincidência e sem trocadilho, sempre foi sinônimo de resistência.

É de crer, portanto, que, com isso, tenha angariado alguns rivais e sofrido algumas perseguições, classificado que foi, nos últimos anos, como um crítico radical. E o estranho disso tudo é que ser radical significa ir à raiz das coisas. Logo a pecha se dilui: de ofensa, me parece que passa a ser elogio. Sobretudo, num meio em que a produção de discos sempre esteve atrelada às imposições do mercado e ao capricho da moeda estrangeira das antigas gravadoras e editoras musicais.

Enfadonho seria enumerar os artistas descobertos e/ou lançados por ele: de memória, citamos alguns – Clara Nunes, João Nogueira, Ivone Lara, Djavan, Bezerra da Silva, Conjunto Nosso Samba, Candeia. De sua indicação, brotaram ainda Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Roberto Ribeiro, Janaína, Jurema, Ana Rosely e outros. Seus programas para as rádios MEC, Nacional e os vários musicais de teatro escritos e dirigidos por ele para vários grupos atestam a sua obsessão sadia pelo que é nosso. Uma coisa é certa: honestidade, seriedade e caráter sempre nortearam seu espírito e alicerçaram suas convicções. E aí a sua grande vaidade talvez seja esta: a de ser simples.

*Texto escrito pelo professor, poeta e compositor Sérgio Fonseca

Em 4 tempos: Império Serrano, Mangueira, Portela e Salgueiro

Em reportagem feita pelo Sindicato e publicada na Revista Serafina do jornal Folha de São Paulo no dia 23 de fevereiro de 2014, bambas da velha guarda carioca falam sobre suas histórias no carnaval.

*Por Camilo Árabe

Em frente à bilheteria do Engenhão, na zona norte do Rio, a casa de Noca da Portela é toda azul e branca. O calor é forte e, aos 81 anos, ele convida: “Vamos tomar um chá de macaco!” Imediatamente, um dos netos traz uma cerveja, enquanto os bisnetos se divertem na piscina de plástico no fundo do quinta

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Mineiro de Leopoldina, Noca tem cerca de 400 composições gravadas por artistas como Clara Nunes e Beth Carvalho e diz ter outras mil inéditas. Feirante durante boa parte da vida, desde a década de 90 sustenta a família com o samba: “Coloca aí que, graças a Deus, eu pago a faculdade dos meus seis netos”.

As cores da casa não estão lá por acaso: são as cores da Portela. “Em 1966, o trio ABC da Portela estava precisando de um violão. Aí o Paulinho da Viola me indicou.”

No mesmo ano, teve que passar por um teste, aplicado por Candeia, para entrar na ala dos compositores: “Ele me deu 10 mil réis para almoçar e falou para eu voltar com um samba”. Noca compôs “Minha Portela Querida”, hoje um clássico da tradicional escola de samba, e foi aprovado.

Além de sambista, Noca também se diz comunista. Já foi Secretario Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e militou na campanha das Diretas Já, quando fez política em formato de samba. “Tenho orgulho de ter feito duas músicas para a campanha.”

***

Wilson das Neves, 77, é normalmente conhecido por ser o baterista de Chico Buarque, apesar de acompanhar grandes nomes da música brasileira desde a década de 60.

Craque das baquetas, em 1994 ele começou a ser reconhecido também como compositor e cantor -ainda que não se reconheça como tal. “Eu não sou cantor. Cantor é o Pavarotti”, diz, durante show na Sala Funarte, em fevereiro deste ano, antes da conversa com Serafina.

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Cada música é acompanhada de uma história, uma piada, uma tirada. “Ô Sorte!”, alguém grita da plateia e logo Wilson responde da mesma maneira.

É seu famoso bordão que remete a uma de suas paixões: a escola de samba Império Serrano. “‘Ô Sorte’ era uma saudação que eu tinha com o puxador de samba Roberto Ribeiro. Sorte de ser imperiano!”, diz.

Wilson chegou à escola verde e branca ainda criança, levado pela mãe, que era da ala das baianas. “Esse ano o Império vai subir, nem que seja num pedestal”, brinca sobre o fato de a agremiação estar na divisão de acesso do Carnaval. A paixão pela escola é grande, mas não o bastante para ele se arriscar “no negócio que virou a composição de sambas-enredo”: “Nunca fiz, não. Deus me livre. Isso é pra quem quer arrumar inimigo de graça”.

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“Eu já me conheci como Tantinho. Deve ser pelo meu tamanho”, conta Devani Ferreira, com seu 1,60 m, na quadra da Estação Primeira de Mangueira.

Aos 13 anos, entrou na ala dos compositores da verde e rosa levado por ninguém menos que Cartola, fundador da escola. Nos anos 1960, foi um dos puxadores da agremiação. “Naquela época, a gente era chamado de crooner. O Jamelão foi quem autorizou: ‘Coloca o Tantinho que ele canta pra caralho!”‘

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São 67 anos de vida e 62 de Carnaval. “A gente só se interessa pela Mangueira”, diz. Apreciador do samba de partido-alto, o mangueirense lamenta o rumo atual do Carnaval carioca: “Nunca houve esse estilo de samba-enredo atual, essa correria, essa ignorância de linha melódica. Há uma descaracterização dos sambas de terreiros. Isso deixou os compositores antigos sem rumo.”

***

Aos 88 anos, Djalma Sabia é o único fundador vivo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Sua casa, na Tijuca, é um dormitório de no máximo 20m2. E as paredes são tomadas por centenas de fotos, quadros, troféus, recortes de imprensa: trata-se de um museu sobre a história da vermelho e branco.

é o único fundador vivo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Sua casa, na Tijuca, é um dormitório de no máximo 20m2. E as paredes são tomadas por centenas de fotos, quadros, troféus, recortes de imprensa: trata-se de um museu sobre a história da vermelho e branco.

“Minha casa vive cheia de historiadores, pesquisadores e estudantes”, diz o autor de seis sambas-enredo para a escola. “Eu largava tudo pelo Salgueiro, até minha família. Era tudo por amor.” Hoje, olha desconfiado o futuro do Carnaval e das escolas: “O samba mudou muito. A escola de samba virou uma casa de shows. Mas a gente tem que aceitar, mesmo que a contra gosto. É tudo por conta do capital, pois sem dinheiro você não faz nada”.

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*Ilustrações de Luciano Schmitz

Quatro dias com Luiz Grande, por Patrick Paes

“Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço”.

Por Patrick Paes*

Receber um ídolo nunca foi tarefa fácil. Por mais humano que seja, também de carne e osso, um ídolo traz consigo uma aura única.

Quando me foi incumbida à missão de receber Seu Luiz Grande confesso que fiquei aflito, mas uma aflição daquelas boas de sentir.

Quinta feira ele chegou e trouxe seu sorriso. Daqueles sinceros, cheios de emoção e verdade. Foi amor a primeira vista. Conversamos um pouco até a chegada na sede do TUOV para os preparativos finais de sua Homenagem na sexta. A noite estava fria e nossa típica garoa se fez presente. Tentamos então abreviar o ensaio para que sua saúde de sessenta e oito anos fosse preservada.

Sexta o dia era intenso e extenso. Começamos com uma gravação no estúdio do nosso irmão Guilherme Lacerda, no fim da tarde, com a presença ilustre da maravilhosa Geovana, passamos no programa “O samba pede passagem”, do querido Moyses da Rocha, e por fim emendamos nada menos que três diferentes rodas de Samba.

Primeiro, no Batalhão da Vagabundagem onde o clima era surreal, posto que ali todos respiram a história do Seu Luiz e reconhecem em suas letras a rotina difícil de um brasileiro cheio de dificuldades. Depois, uma apresentação impecável no Bar Samba. E, por fim, uma linda Homenagem no terreiro do Samba do Bule.

Sábado começou e com mais duas apresentações nós fechamos a série intensa. A primeira no Traço de união e no fim da noite no Bargaça, na vila madalena.

Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)
Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)

Quando Domingo chegou e eu percebi que aquele sonho estava acabando um pequeno abatimento me bateu. E foi me batendo até a despedida no aeroporto. Mas a despedida foi em tom de até logo e espero, assim que possível, encontrá-lo em território carioca.

Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço. Seus ensinamentos não são de forma didática, são envolvidos em nuances que só mais de cinqüenta anos de rua podem te dar. E por mais clichê que pareça você percebe que a felicidade se resume SIM a esses pequenos momentos solenes e puros.
Muito obrigado a todos que fizeram desse fim de semana inesquecível.

Meu eterno agradecimento a você Luiz Grande, que tem esse nome não só pela estatura, mas pelo Grande homem que foi, é e sempre será.
Viva o Samba e nossa Cultura Brasileira tão rica e bela.

* Administrador e músico, Patrick Paes recebeu o compositor carioca Luiz Grande em sua casa em São Paulo, entre os dias 28 e 31 de maio.

Silas de Oliveira, o maior compositor de samba-enredo

Homenagem do Sindicato do Samba ao maior poeta de sambas-enredo de todos os tempos, Silas de Oliveira, que nos deixou há exatos 43 anos

Autor de clássicos como “Aquarela do Brasil”, “Heróis da Liberdade” e “Meu Drama”, Silas foi um dos fundadores do Império Serrano.

Professor de português, o artista não precisava de muito para compor: “A inspiração vinha na companhia de um livro de história, um lápis e uma caixa de fósforos”, como conta essa boa reportagem do Jornal Extra.

Com o tempo, as modificações nos sambas-enredo, com andamentos mais acelerados e obras mais curtas, acabou por afastar Silas das disputas. No total, o compositor ganhou 16 sambas em sua escola.

No dia 20 de maio de 1972, Silas foi participar de uma roda de samba, em Botafogo. Ao cantar o histórico “Os cinco bailes da história do Rio” (http://bit.ly/1BcnBxT), teve um infarto e não resistiu.

Para quem quiser saber mais sobre a vida do músico, vale ver o documentário dirigido por José Maurício de Oliveira e exibido pela TV Cultura e Arte, do Ministério da Cultura.

Salve Silas de Oliveira!
Salve o Samba e a Cultura Popular!
Salve o Império Serrano!

Documentário sobre Silas:
http://bit.ly/1KknOY3