A importância de Adelzon Alves, por Sérgio Fonseca

Radialista principalmente comprometido com as manifestações de nossa cultura popular, pesquisador, estudioso de harmonias e ritmos brasileiros, produtor musical, jornalista, locutor, respeitadíssimo no mundo das emissoras de rádio, há pelo menos cinco décadas vindo do Paraná para o Rio de Janeiro, Adelzon Alves se impôs como grande animador cultural da cidade e amigo da madrugada dos compositores.

Seu conhecimento de causa não se prende exclusivamente ao livresco: ele vai até onde ocorre o evento e se faz testemunha ocular do fato, seja na Baixada, em Niterói, na região serrana ou dos lagos. Tocou Brasil, Adelzon tá lá.

Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga
Jackson do Pandeiro, Adelzon Alves e Luiz Gonzaga

Num tempo de modismos novidadeiros em que a chamada MPB, rotulada pela mídia impressa e falada, exclui de seu balaio o samba, o forró, o coco, o baião, o frevo e tantos outros gêneros de nosso riquíssimo cancioneiro, Adelzon não se exime de abrir discussão em defesa de nossa tradição. É um comunicador que ainda se dá ao luxo de ter opinião. E de veiculá-la em alto e bom som. E opinião, para nós que emergimos da escuridão de 64, por coincidência e sem trocadilho, sempre foi sinônimo de resistência.

É de crer, portanto, que, com isso, tenha angariado alguns rivais e sofrido algumas perseguições, classificado que foi, nos últimos anos, como um crítico radical. E o estranho disso tudo é que ser radical significa ir à raiz das coisas. Logo a pecha se dilui: de ofensa, me parece que passa a ser elogio. Sobretudo, num meio em que a produção de discos sempre esteve atrelada às imposições do mercado e ao capricho da moeda estrangeira das antigas gravadoras e editoras musicais.

Enfadonho seria enumerar os artistas descobertos e/ou lançados por ele: de memória, citamos alguns – Clara Nunes, João Nogueira, Ivone Lara, Djavan, Bezerra da Silva, Conjunto Nosso Samba, Candeia. De sua indicação, brotaram ainda Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Roberto Ribeiro, Janaína, Jurema, Ana Rosely e outros. Seus programas para as rádios MEC, Nacional e os vários musicais de teatro escritos e dirigidos por ele para vários grupos atestam a sua obsessão sadia pelo que é nosso. Uma coisa é certa: honestidade, seriedade e caráter sempre nortearam seu espírito e alicerçaram suas convicções. E aí a sua grande vaidade talvez seja esta: a de ser simples.

*Texto escrito pelo professor, poeta e compositor Sérgio Fonseca

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