Quatro dias com Luiz Grande, por Patrick Paes

“Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço”.

Por Patrick Paes*

Receber um ídolo nunca foi tarefa fácil. Por mais humano que seja, também de carne e osso, um ídolo traz consigo uma aura única.

Quando me foi incumbida à missão de receber Seu Luiz Grande confesso que fiquei aflito, mas uma aflição daquelas boas de sentir.

Quinta feira ele chegou e trouxe seu sorriso. Daqueles sinceros, cheios de emoção e verdade. Foi amor a primeira vista. Conversamos um pouco até a chegada na sede do TUOV para os preparativos finais de sua Homenagem na sexta. A noite estava fria e nossa típica garoa se fez presente. Tentamos então abreviar o ensaio para que sua saúde de sessenta e oito anos fosse preservada.

Sexta o dia era intenso e extenso. Começamos com uma gravação no estúdio do nosso irmão Guilherme Lacerda, no fim da tarde, com a presença ilustre da maravilhosa Geovana, passamos no programa “O samba pede passagem”, do querido Moyses da Rocha, e por fim emendamos nada menos que três diferentes rodas de Samba.

Primeiro, no Batalhão da Vagabundagem onde o clima era surreal, posto que ali todos respiram a história do Seu Luiz e reconhecem em suas letras a rotina difícil de um brasileiro cheio de dificuldades. Depois, uma apresentação impecável no Bar Samba. E, por fim, uma linda Homenagem no terreiro do Samba do Bule.

Sábado começou e com mais duas apresentações nós fechamos a série intensa. A primeira no Traço de união e no fim da noite no Bargaça, na vila madalena.

Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)
Luiz Grande se apresenta no Traço de União (Foto: Rafael Luvizetto)

Quando Domingo chegou e eu percebi que aquele sonho estava acabando um pequeno abatimento me bateu. E foi me batendo até a despedida no aeroporto. Mas a despedida foi em tom de até logo e espero, assim que possível, encontrá-lo em território carioca.

Conviver quatro dias com uma figura com tanta história e verdade é mais que um privilégio. A vida de Luiz Grande nunca foi simples, mas nessa breve convivência aprendi um pouco que a gentileza e a humildade não têm preço. Seus ensinamentos não são de forma didática, são envolvidos em nuances que só mais de cinqüenta anos de rua podem te dar. E por mais clichê que pareça você percebe que a felicidade se resume SIM a esses pequenos momentos solenes e puros.
Muito obrigado a todos que fizeram desse fim de semana inesquecível.

Meu eterno agradecimento a você Luiz Grande, que tem esse nome não só pela estatura, mas pelo Grande homem que foi, é e sempre será.
Viva o Samba e nossa Cultura Brasileira tão rica e bela.

* Administrador e músico, Patrick Paes recebeu o compositor carioca Luiz Grande em sua casa em São Paulo, entre os dias 28 e 31 de maio.

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